Afastamentos psicoemocionais: o que os dados demográficos revelam e como as empresas podem agir
Novembro 11, 2025
Afastamentos por questões psicoemocionais afetam custos e produtividade. Dados demográficos, people analytics e a NR-01 ajudam na gestão e reforçam o papel estratégico das empresas.
Health and Benefits|Employee Wellbeing
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Dados da previdência social indicam que 40% dos afastamentos por desequilíbrio psicoemocional estão relacionados a transtornos depressivos, seguidos por transtornos ansiosos, com predomínio entre as mulheres (68,7%).
Esse fenômeno, além de representar um desafio para a saúde mental dos trabalhadores, traz impactos diretos para a produtividade das empresas. A redução no quadro de funcionários devido aos afastamentos pode comprometer entregas, sobrecarregar as equipes e gerar custos adicionais com substituições e treinamentos.
Há também repercussões financeiras mais amplas, como o aumento do Seguro de Acidente de Trabalho (SAT), um tributo que pode variar de 0,5% a 6% sobre a folha de pagamento, agravado quando há elevação nos afastamentos por doenças ocupacionais. Vale lembrar que, desde 2023, a síndrome de burnout passou a ser classificada como uma doença ocupacional.
Como a análise de dados pode ajudar
Ao cruzar dados de absenteísmo, afastamentos previdenciários e percepções dos empregados sobre riscos psicossociais, as empresas conseguem identificar áreas, líderes e funções mais suscetíveis a esse tipo de ocorrência. Com isso, podem atuar e forma preventiva, ajustando ambientes, processos e práticas de gestão.
Profissionais de determinados segmentos são especialmente impactados, entre eles, os da área de saúde, educação, segurança, call centers, construção civil e petróleo, que apresentam alto grau de estresse, sobrecarga, exposição a situações traumáticas e, em alguns casos, condições insalubres. A própria Previdência Social reconhece essas correlações por meio do Nexo Técnico Epidemiológico, que relaciona doenças ao tipo de atividade laboral.
Além das perdas para as empresas, os afastamentos também impactam profundamente os trabalhadores. Muitos enfrentam preconceito no ambiente corporativo, se sentem isolados e têm a autoestima abalada. Há ainda prejuízos à saúde física e à estabilidade financeira, já que o valor do benefício previdenciário é, na maioria das vezes, inferior ao salário habitual, o que levar a um ciclo de endividamento.
O papel estratégico das empresas
Nesse cenário, as empresas desempenham um papel fundamental. A Norma Regulamentadora NR-01 estabelece diretrizes para a identificação e mitigação de riscos psicossociais, exigindo que a avaliação de riscos ocupacionais considere também esses aspectos. Entre os fatores observados estão a pressão por metas excessivas, o assédio moral, as jornadas prolongadas e os ambientes com baixa previsibilidade.
Contudo, ir além do cumprimento normativo é o que realmente diferencia as organizações que promovem saúde integral. As empresas devem integrar a saúde e segurança do trabalho às demais áreas de gestão de pessoas, adotando estratégias amplas que envolvam prevenção, promoção do bem-estar, capacitação de líderes, incentivo à escuta ativa e valorização da diversidade. É dessa conexão que nasce uma cultura organizacional genuinamente comprometida com a saúde mental dos colaboradores.
A WTW apoia organizações nessa jornada por meio de estratégias integradas de gestão de riscos, bem-estar e benefícios. Conectar dados, comportamento e cultura é fundamental para construir ambientes de trabalhos mais saudáveis, produtivos e humanos.