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O mercado global de energia vive um ponto de inflexão

Autor

Paulo Mantovani
Fevereiro 9, 2026

Setor enfrenta desafios estruturais e oportunidades de investimento em meio à transição energética e à retomada de um mercado de seguros mais competitivo.

O mundo vive um dos períodos mais intensos de transformação do setor de energia. A transição para uma economia de baixo carbono, aliada ao avanço tecnológico e à pressão por investimentos em infraestrutura, está redesenhando o mapa global da geração, transmissão e consumo de energia.

Além disso, o setor de energia elétrica passa por um momento de transformação sem precedentes. Enquanto cresce a demanda por eletricidade em ritmo exponencial, impulsionada pela digitalização, eletrificação da economia e pela expansão dos data centers, a infraestrutura mundial de transmissão segue sobrecarregada e subfinanciada.

Os investimentos globais em energias renováveis quase dobraram desde 2010, mas os aportes em redes de transmissão permaneceram praticamente estagnados, em torno de US$ 300 bilhões anuais. Para que as metas climáticas nacionais sejam atingidas, seria necessário duplicar esse volume até 2030, alcançando mais de US$ 600 bilhões por ano.

Essa e outras conclusões estão no estudo global “Power Market Review”, feito pela WTW, que analisa tendências e riscos do setor em um momento decisivo para o futuro energético mundial. O relatório alerta que sem uma rede robusta, a transição energética fica em risco.


  • Tecnologia, riscos e oportunidades

    A expansão das renováveis exige soluções mais complexas de armazenamento, integração de sistemas e monitoramento digital. Tecnologias como hidrogênio, captura de carbono e pequenos reatores nucleares (SMRs) começam a ganhar escala, mas também ampliam o espectro de riscos técnicos e regulatórios.

    O relatório destaca o papel crescente da energia nuclear na alimentação de grandes centros de dados. Gigantes da tecnologia como Microsoft, Amazon e Google estão investindo em projetos próprios de geração, buscando segurança energética e redução de emissões. No entanto, persistem desafios relacionados à regulação e à capacidade do mercado segurador de acompanhar esse ritmo de inovação.

A boa notícia é que o mercado global de seguros para energia atravessa um período de flexibilização. Após anos de alta nos prêmios, o setor vive uma fase de “soft market”, com reduções de dois dígitos nas taxas de cobertura de riscos patrimoniais e de interrupção de negócios. Isso permite que empresas do setor otimizem seus programas de seguros e redirecionem capital para inovação e expansão.

Mesmo assim, o relatório aponta áreas críticas: exclusões relacionadas a mudanças climáticas, PFAS e falhas de fornecimento continuam presentes nas apólices, e a pressão por maior transparência de dados e modelagem de riscos é crescente. Companhias que adotam estratégias baseadas em dados e relatórios de engenharia robustos conseguem condições mais vantajosas e proteção mais eficiente.


  • Energia, resiliência e proteção

    O estudo conclui que a transição energética global dependerá tanto de inovação e investimento quanto de gestão de riscos e mecanismos de proteção adequados. Seguradoras, corretores e empresas do setor têm um papel decisivo em garantir a continuidade das operações e atrair capital para projetos de longo prazo.

    Além das quedas nas taxas, acordos de longo prazo e bônus por ausência de sinistros voltaram a ser negociados, fortalecendo o relacionamento entre segurados e seguradoras. Entretanto, o estudo ressalta que é fundamental manter atenção às condições contratuais e exclusões relacionadas a riscos climáticos e perdas financeiras decorrentes de falhas de fornecimento.

    Para empresas do setor, este é o momento ideal para otimizar estratégias de risco e equilibrar retenção e transferência, apoiadas por dados, modelagem analítica e relatórios de engenharia Mais do que nunca, a energia do futuro exige redes modernas, tecnologias seguras e um mercado de seguros capaz de sustentar o crescimento sustentável do planeta.

  • Perspectivas regionais e lições globais

    O Power Market Review mostra um setor em diferentes velocidades. Na Ásia, o crescimento é acelerado e dominado por investimentos em infraestrutura e energia limpa; na Europa, os desafios de modernização das redes e a integração das renováveis exigem regulação mais ágil; na América Latina, há espaço para expansão, mas os eventos climáticos como as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 expõem vulnerabilidades; e no Oriente Médio, gás e hidrogênio dividem protagonismo na estratégia de transição.

Autor

Paulo Mantovani, Líder de Recursos Naturais

Paulo Mantovani

Líder de Recursos Naturais - Brasil

Indústria

Recursos naturais