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Porque a saúde cardiovascular deve ser uma prioridade estratégica para as empresas na Europa

24 agosto 2026

Setembro assinala o Mês de Consciencialização para a Saúde Cardiovascular - uma oportunidade importante para que líderes de RH, de benefícios e de bem‑estar em toda a Europa se concentrem num dos riscos de saúde mais prementes que afetam os seus colaboradores. Este artigo explora de que forma uma maior sensibilização e uma gestão eficaz da saúde cardiovascular podem reduzir o absentismo, diminuir os custos com seguros e melhorar o envolvimento e a produtividade das equipas.

A crise de saúde na europa: Um alerta para as organizações

As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte na Europa, contribuindo anualmente para mais de 1,8 milhões de mortes evitáveis por doenças não transmissíveis a nível global[1]. Em países como a Alemanha, França e Polónia, as doenças cardiovasculares representam mais de 40% de todas as mortes prematuras[2]. O impacto económico das doenças não transmissíveis, incluindo as doenças cardiovasculares, é enorme.

400BO custo da perda de produtividade e das despesas de saúde na Europa.

Contudo, o WTW 2025 Benefit Trends Survey[3] revela que apenas duas em cada dez empresas planeiam atuar sobre condições médicas de elevado custo, como as doenças cardiovasculares, na sua estratégia de benefícios. Além disso, quatro em cada dez referem enfrentar desafios na implementação de benefícios de saúde e três em cada dez assinalam dificuldades na introdução de programas de bem‑estar para apoiar a gestão dos riscos de saúde.

Impactos específicos por país:

Itália, Espanha, Portugal: Estilos de vida sedentários e alimentação inadequada estão a aumentar a prevalência de doenças cardíacas.

Reino Unido: As doenças cardiovasculares afetam quase 7 milhões de pessoas e estima-se que custe ao National Health Service 7,4 mil milhões de libras por ano[4].

Alemanha e França: As taxas elevadas de hipertensão e obesidade estão a aumentar a sinistralidade dos seguros e incapacidade a longo prazo.

Polónia e Irlanda: O aumento dos níveis de stress e do consumo do tabaco está a contribuir para o surgimento precoce das doenças cardiovasculares.

 Suíça e Países Baixos: Apesar de sistemas de saúde robustos, os riscos associados ao estilo de vida persistem.

A pressão sobre os sistemas de saúde pública

A OMS alerta que o agravamento dos sistemas públicos de saúde na Europa está a levar mais pessoas a recorrerem a cuidados privados[5]. Observa‑se em toda a Europa uma crescente pressão sobre os serviços públicos de saúde e sobre a gestão a longo prazo de condições críticas como problemas musculoesqueléticos, saúde mental, diabetes e as doenças cardiovasculares.

Em muitos países, o acesso aos cuidados primários públicos pode ser desafiante. O crescimento acentuado da telemedicina nos setores público e privado veio melhorar o acesso inicial, mas também trouxe efeitos indesejados. Um desses efeitos é o aumento da utilização dos seguros de saúde, resultante das dificuldades que os prestadores de teleconsulta enfrentam ao encaminhar novamente os doentes para os cuidados primários públicos e da impossibilidade de realizarem avaliações diagnósticas equivalentes às de uma consulta presencial. Isto leva, muitas vezes, a encaminhamentos desnecessários para cuidados de saúde secundários.

Esta situação está a gerar uma pressão adicional sobre os programas de seguros de saúde disponibilizados pelas organizações, sublinhando a necessidade de estratégias mais eficazes para promover o envolvimento dos colaboradores e apoiar a gestão da sua saúde.

Porque a saúde cardiovascular é importante para as organizações

O 2025 WTW Global Medical Trends Survey[6] indica que as condições musculoesqueléticas e cardiovasculares continuam a ser as causas mais frequentes de pedidos de indemnização, especialmente em ambientes de trabalho com populações mais envelhecidas. As doenças cardiovasculares permanecem também entre os três maiores fatores de custo nos seguros de saúde disponibilizados pelas organizações.

Os custos com benefícios de saúde e invalidez estão a aumentar em toda a região europeia, muitas vezes a um ritmo insustentável. De acordo com o 2025 WTW Benefit Trends Survey[7], seis em cada dez organizações na Europa Ocidental identificam a subida dos custos dos benefícios e a pressão sobre os orçamentos como desafios críticos.

No caso de Portugal, estima‑se que a inflação médica atinja 6,6% em 2026, intensificando a necessidade de os profissionais de RH otimizarem o investimento em benefícios de forma ainda mais criteriosa.

Estatísticas principais

  • Presenteísmo e absentismo

    Associados às doenças cardiovasculares, representam um custo de até 1.000 € por colaborador por ano para as organizações.[8]
  • Risco de rotatividade

    Aumenta 40% entre colaboradores sem acompanhamento adequado [9].

  • Prémios de seguros

    Registaram um aumento médio de 9,3% na Europa em 2024, impulsionados sobretudo por condições de saúde preveníveis [10].

O impacto positivo na motivação, retenção e resiliência dos colaboradores

O WTW 2024 Wellbeing Diagnostic[11] revela que as organizações com programas de bem‑estar eficazes alcançam ganhos financeiros e de capital humano duas vezes superiores aos das que têm estratégias menos robustas. Estes resultados são corroborados pelo WTW 2024 Global Benefits Attitudes Survey [12], que identificou que:

82%Dos colaboradores cujos benefícios de saúde respondem às suas necessidades tencionam permanecer na organização.

54%Dos colaboradores referem o apoio ao bem‑estar como um motivo fundamental para entrar ou permanecer numa empresa.

2xOs trabalhadores mais jovens têm o dobro da probabilidade de aderir a organizações que oferecem ferramentas digitais de saúde.

O papel dos dados e da análise preditiva

 As organizações já não podem depender apenas de dados reativos sobre riscos de saúde, nem de estratégias e programas de benefícios que respondem apenas depois dos problemas surgirem. Cada vez mais, empresas líderes estão a analisar os seus dados de saúde para identificar riscos futuros, tendências e pontos críticos associados à demografia dos colaboradores. O WTW Benefit Trends Survey 2025 concluiu que cinco em cada dez empresas planeiam utilizar previsões e análises de risco nos próximos três anos para compreender e gerir melhor o risco organizacional e o investimento em benefícios.

A aprendizagem automática e a IA estão a permitir uma interpretação ainda mais profunda dos conjuntos de dados, prever custos de cuidados por condição específica e modelar o impacto de intervenções como rastreios de saúde direcionados ou apoio à gestão de doenças crónicas.

Cinco formas de as organizações promoverem a saúde cardiovascular

  • Lançar uma campanha de sensibilização para a saúde cardiovascular

    Utilize comunicações internas, webinars e cartazes digitais para reforçar a sensibilização para os riscos cardiovasculares e para as medidas de prevenção. Envolver os fornecedores de benefícios de saúde nestas iniciativas pode ajudar a reduzir custos e a diminuir a carga administrativa para as organizações.
  • Tirar partido da tecnologia de saúde e de ferramentas de monitorização digital

    Integre soluções digitais para proporcionar uma experiência de participação consistente e escalável, utilizando sistemas de monitorização de saúde apoiados por IA.
  • Oferecer rastreios de saúde direcionados

    Disponibilize medições gratuitas de tensão arterial, colesterol e IMC — no escritório ou em locais como farmácias ou centros de rastreio. A análise preditiva pode ajudar a identificar grupos com maior risco e a adaptar as comunicações, garantindo uma sensibilização mais eficaz e um maior impacto da iniciativa.
  • Promover estilos de vida ativos e saudáveis

    A atividade física demonstrou reduzir o risco de doenças cardiovasculares[13], e comportamentos como deixar de fumar, adotar uma alimentação equilibrada e reduzir o consumo de álcool têm efeitos significativos na saúde cardíaca. Incentivar reuniões a caminhar, oferecer descontos em ginásios ou aulas de exercício, promover desafios de passos e reforçar a sensibilização para hábitos saudáveis pode melhorar o bem‑estar físico e emocional dos colaboradores.

  • Integrar saúde e bem‑estar na estratégia de benefícios

    As organizações líderes estão a focar-se em utilizar benefícios de saúde e bem‑estar para demonstrar o seu propósito e valores. O WTW 2025 Benefits Trends Survey indica que 40% das empresas na Europa planeiam adotar esta abordagem nos próximos três anos[14]. Ferramentas como o WTW Wellbeing Diagnostic ajudam a alinhar estas iniciativas com os objetivos estratégicos da organização.

Faça de setembro um catalisador para a mudança

O Mês de Sensibilização para a Saúde Cardiovascular representa uma oportunidade para as organizações enfrentarem um risco de saúde crítico e gerarem impacto positivo tanto no capital humano como nos resultados financeiros. Ao investir na prevenção, em ferramentas digitais e em estratégias orientadas por dados, as empresas podem reduzir custos, reforçar a motivação e criar um ambiente de trabalho mais saudável, sustentável e resiliente.

Notas de Rodapé

  1. New data: noncommunicable diseases cause 1.8 million avoidable deaths and cost US$ 514 billion every year, reveals new WHO/Europe report. Voltar ao artigo
  2. Cardiovascular diseases kill 10 000 people in the WHO European Region every day, with men dying more frequently than women. Voltar ao artigo
  3. 2025 Benefits Trends Survey. Voltar ao artigo
  4. Health matters: preventing cardiovascular disease. Voltar ao artigo
  5. Far too many households across the European Region are pushed into poverty after paying for health care, finds new WHO/Europe report. Voltar ao artigo
  6. 2025 Global Medical Trends Survey. Voltar ao artigo
  7. 2025 Benefits Trends Survey - WTW - Willis Towers Watson. Voltar ao artigo
  8. Absenteeism from work due to illness, days per employee per year. Voltar ao artigo
  9. Understanding the employee voice. Voltar ao artigo
  10. 2025 Global Medical Trends Survey. Voltar ao artigo
  11. Employers build momentum on employee wellbeing – but there’s still a way to go. Voltar ao artigo
  12. Understanding the employee voice. Voltar ao artigo
  13. Physical activity. Voltar ao artigo
  14. 2025 Benefits Trends Survey - WTW - Willis Towers Watson. Voltar ao artigo

Autor

Joana Vieira de Castro

Associate – Health and Benefits

Campaign

Calendário de bem-estar