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Energia em transição: biogás, gás natural e hidrogênio verde sob a lente da gestão de riscos

Junho 30, 2026

A transição para uma matriz energética de baixo carbono vive uma fase complexa no Brasil. Fontes como biogás, gás natural, biocombustíveis e o emergente hidrogênio verde estão ganhando protagonismo. No entanto, com esse avanço, surgem desafios operacionais, ambientais, regulatórios e reputacionais que exigem uma nova abordagem de gestão de riscos.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as relações sinérgicas entre o hidrogênio de baixo carbono e a bioenergia apresentam oportunidades de fortalecimento mútuo entre os segmentos, e o Brasil possui uma condição singular para avançar na produção de hidrogênio de baixa emissão de carbono.

Por outro lado, o setor de gás natural e biometano enfrenta um paradoxo: embora seja fundamental na transição como uma “ponte energética”, o Observatório do Clima aponta riscos de dependência de combustíveis fósseis e vulnerabilidades logísticas.

  • Gás natural e biogás: ponte ou armadilha?

    O gás natural aparece como alternativa para flexibilizar a geração elétrica e reduzir emissões frente ao carvão, mas sua extração, transporte e uso geram riscos operacionais como vazamentos, integridade de dutos, segurança de estações. Existem também os riscos ambientais como emissões fugitivas de metano, que têm efeito estufa superior ao CO₂. Os operadores precisam também lidar com o risco reputacional de seguir dependentes de combustíveis fósseis num contexto de forte pressão ESG.

    O país possui um relevante potencial de geração a partir de biogás, que, segundo estudos da EPE, poderia representar mais de 20% da geração elétrica nacional, caso plenamente aproveitado.

    Para concretizar isso, será preciso integração logística, certificações, monitoramento e incentivos. Essa necessidade abre espaço para riscos regulatórios e de mercado.

A gestão de riscos aqui importa: além de seguros voltados à integridade das instalações e continuidade de produção, é necessário previsão de incidentes ambientais, escassez de matéria-prima orgânica e cobertura de reputação frente à comunidade.
  • Hidrogênio verde: oportunidade de liderança sob riscos reais

    O hidrogênio verde está ganhando relevância como vetor energético de baixa emissão de carbono. A EPE destaca que o Brasil pode assumir um papel estratégico global na produção desse insumo. Apesar do potencial, ainda enfrenta desafios como altos custos de produção, necessidade de infraestrutura e maturidade tecnológica.

    Empresas que pretendem investir nesse segmento devem adotar estratégias sólidas de gestão de riscos, considerando cenários de evolução do mercado, políticas públicas, mapeando cenários, antecipando falhas, e definindo estratégias de mitigação robustas.

  • ESG, governança e inovação

    Governança, inovação e ESG deixam de ser bordas decorativas e se tornam núcleo estratégico. Políticas públicas recentes como a aprovação de marco regulatório para o hidrogênio de baixa emissão apontam para uma nova etapa no Brasil.

    Para as empresas e seus gestores de risco, isso significa inserir metas de baixo-carbono nas apólices; adotar métricas de impacto ambiental em contratos de seguro; estruturar continuidade de negócio mesmo diante de falhas de tecnologia ou regulação; inovar no seguro paramétrico, no seguro de desempenho e nas garantias de nova geração.

    Para o setor energético brasileiro, essa transição traz oportunidades e também exigências robustas. A expansão dos vetores não clássicos (gás natural, biocombustíveis, hidrogênio) pode atrair investimentos, gerar empregos e aumentar a segurança energética nacional. Mas só se vier acompanhada de gestão de riscos sofisticada.

    É preciso demonstrar como cada elo da cadeia está protegido, mensurado, assegurado. Se o Brasil já se destaca por 88% da geração elétrica proveniente de fontes renováveis, a pergunta agora é como garantir que a nova fase (gás, biogás, hidrogênio) não reverta ganhos e traga vulnerabilidades?

A resposta passa pela intersecção entre tecnologia, finanças, seguros e governança. E quem olhar para a transição apenas como “mudança de fonte” corre o risco de perder a dimensão mais profunda da transformação: a mudança de modelo de risco.