
Os gestores de ativos enfrentam uma pressão crescente para fazer evoluir os seus modelos de negócio, sob pena de ficarem para trás, à medida que as expectativas dos clientes continuam a transformar o setor, segundo uma nova investigação do Thinking Ahead Institute e da CAIA Association.
O artigo conjunto, intitulado An Expanding Mandate: A Systems Level Framework for Asset Management, sugere que as abordagens tradicionais centradas exclusivamente em rentabilidades relativas a um benchmark estão a perder relevância num contexto cada vez mais marcado por riscos interligados, mudanças estruturais e exigências crescentes por parte dos clientes.
A investigação evidencia um fosso crescente entre as empresas que se estão a adaptar a esta nova realidade e as que continuam a operar segundo modelos ultrapassados. O relatório designa esta nova abordagem como "investimento ao nível dos sistemas", que reconhece que os resultados de investimento a longo prazo dependem da saúde e da resiliência dos sistemas económicos, sociais e ambientais mais amplos em que os mercados operam.
As conclusões baseiam-se no estudo em curso Thinking Ahead Institute Global Asset Manager Peer Study 2026, que avalia mais de 170 gestores de ativos a nível mundial, em 16 países, representando 39 biliões de dólares em ativos. Baseiam-se ainda numa série de fóruns de liderança global realizados em vários centros financeiros mundiais, moderados pela CAIA, que culminaram no relatório The World Rewired: From Signals to Shifts, the Decade Ahead for Capital Markets. Embora as empresas reconheçam, em geral, a importância de grandes temas estruturais como a geopolítica, a inteligência artificial e a convergência entre mercados públicos e privados, a investigação sugere que muitas ainda não conseguem responder a estes temas de forma integrada. Esta capacidade tornar-se-á decisiva para determinar quais as empresas que terão sucesso no futuro.
Em contrapartida, alguns grandes proprietários de ativos, incluindo fundos soberanos e fundos de pensões, estão a adotar abordagens cada vez mais integradas. Estes dão maior importância a resultados concretos no mundo real e à resiliência a longo prazo, e esperam o mesmo dos gestores que contratam.
Além disso, apesar da intensa retórica do setor em torno da inteligência artificial, o estudo revela que os gestores não estão a investir nesta área tão agressivamente como a perceção pública sugere. As projeções para os próximos cinco anos indicam que as empresas estão a manter os níveis de base das despesas com capital humano de primeira linha, aumentando apenas marginalmente o investimento em tecnologia, o que sublinha a necessidade de equilibrar o investimento entre as capacidades de IA e outras prioridades mais amplas, como talento, governação e tomada de decisão.
Neste contexto, o setor da gestão de ativos está a passar por um reposicionamento estratégico e por uma rápida consolidação. Embora estas tendências sejam impulsionadas por diversos fatores, as empresas mais lentas a fazer evoluir as suas capacidades e modelos de negócio poderão estar mais expostas a estas pressões, à medida que as expectativas dos clientes continuam a mudar.
Como tal, o Thinking Ahead Institute e a CAIA Association apelam aos líderes do setor de investimento para que reformulem a forma como o sucesso é definido dentro das suas organizações, reforcem a sua capacidade de tomar decisões num contexto cada vez mais interligado, e desenvolvam o talento e as culturas necessários para operar eficazmente num mundo mais complexo.
Marisa Hall, responsável pelo Thinking Ahead Institute, afirma: "A gestão de ativos está a ficar sem margem para continuar a aplicar os modelos antigos. Num mundo marcado por riscos interligados, mudanças estruturais e exigências crescentes dos clientes, o pensamento centrado apenas no benchmark já não é suficiente. As empresas precisam de adotar uma visão mais integrada, ao nível dos sistemas, para se manterem relevantes. Demasiados gestores de ativos continuam agarrados a modelos pensados para uma era mais simples. A verdade incómoda é que a relevância já está a ser redistribuída pelos proprietários de ativos, de forma discreta, mas decisiva, a favor daqueles que reestruturaram as suas organizações para esta nova realidade".
John Bowman, Diretor-Geral (CEO) da CAIA, acrescenta: "A era da formação centrada em competências técnicas na gestão de investimentos deu definitivamente lugar a um pensamento lateral, de nível superior. A fragmentação geopolítica, a disrupção tecnológica, as alterações demográficas e a crescente convergência entre os mercados públicos e privados exigem uma visão mais ampla, capaz de ligar pontos entre diversas disciplinas. Este relatório reforça por que razão o pensamento ao nível dos sistemas se está a tornar uma necessidade estratégica para as organizações de investimento que pretendem manter-se relevantes, resilientes e alinhadas com as necessidades em evolução dos proprietários de ativos".
Sobre o Thinking Ahead Institute da WTW
O Thinking Ahead Institute é uma rede global de investigação e inovação em investimento, sem fins lucrativos, dedicada a ajudar os investidores a preparar-se para o futuro. Reunindo importantes proprietários de ativos, gestores de ativos, fornecedores de soluções de gestão de património e parceiros estratégicos, o Instituto promove a inovação através de investigação colaborativa e soluções práticas. Desde a sua fundação em 2015, o Instituto já reuniu mais de 150 organizações para conceber, em conjunto, estratégias de investimento adequadas, melhorar a eficácia organizacional e reforçar a confiança das partes interessadas. Saiba mais sobre como o Thinking Ahead Institute pode apoiar a sua organização em Thinking Ahead Institute.
Sobre a CAIA Association
A CAIA (Chartered Alternative Investment Analyst) Association é o principal organismo profissional dedicado à formação e certificação em investimentos alternativos. A organização apoia o setor global do investimento através da oferta do título CAIA Charter e de um conjunto de iniciativas de formação, investigação e liderança de pensamento. Com mais de 14.000 membros em mais de 100 países, constitui a comunidade de profissionais de investimento alternativo mais dinâmica do mundo, dedicada a promover normas profissionais e melhores resultados de investimento. Saiba mais em CAIA.