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Gestão de ativos enfrenta ponto de viragem: quem não se adaptar arrisca perder relevância

12 agosto 2026

Os gestores de ativos enfrentam uma pressão crescente para fazer evoluir os seus modelos de negócio, sob pena de ficarem para trás, à medida que as expectativas dos clientes continuam a transformar o setor, segundo uma nova investigação do Thinking Ahead Institute e da CAIA Association.

O artigo conjunto, intitulado An Expanding Mandate: A Systems Level Framework for Asset Management, sugere que as abordagens tradicionais centradas exclusivamente em rentabilidades relativas a um benchmark estão a perder relevância num contexto cada vez mais marcado por riscos interligados, mudanças estruturais e exigências crescentes por parte dos clientes.

A investigação evidencia um fosso crescente entre as empresas que se estão a adaptar a esta nova realidade e as que continuam a operar segundo modelos ultrapassados. O relatório designa esta nova abordagem como "investimento ao nível dos sistemas", que reconhece que os resultados de investimento a longo prazo dependem da saúde e da resiliência dos sistemas económicos, sociais e ambientais mais amplos em que os mercados operam.

As conclusões baseiam-se no estudo em curso Thinking Ahead Institute Global Asset Manager Peer Study 2026, que avalia mais de 170 gestores de ativos a nível mundial, em 16 países, representando 39 biliões de dólares em ativos. Baseiam-se ainda numa série de fóruns de liderança global realizados em vários centros financeiros mundiais, moderados pela CAIA, que culminaram no relatório The World Rewired: From Signals to Shifts, the Decade Ahead for Capital Markets. Embora as empresas reconheçam, em geral, a importância de grandes temas estruturais como a geopolítica, a inteligência artificial e a convergência entre mercados públicos e privados, a investigação sugere que muitas ainda não conseguem responder a estes temas de forma integrada. Esta capacidade tornar-se-á decisiva para determinar quais as empresas que terão sucesso no futuro.

Em contrapartida, alguns grandes proprietários de ativos, incluindo fundos soberanos e fundos de pensões, estão a adotar abordagens cada vez mais integradas. Estes dão maior importância a resultados concretos no mundo real e à resiliência a longo prazo, e esperam o mesmo dos gestores que contratam.

Além disso, apesar da intensa retórica do setor em torno da inteligência artificial, o estudo revela que os gestores não estão a investir nesta área tão agressivamente como a perceção pública sugere. As projeções para os próximos cinco anos indicam que as empresas estão a manter os níveis de base das despesas com capital humano de primeira linha, aumentando apenas marginalmente o investimento em tecnologia, o que sublinha a necessidade de equilibrar o investimento entre as capacidades de IA e outras prioridades mais amplas, como talento, governação e tomada de decisão.

Neste contexto, o setor da gestão de ativos está a passar por um reposicionamento estratégico e por uma rápida consolidação. Embora estas tendências sejam impulsionadas por diversos fatores, as empresas mais lentas a fazer evoluir as suas capacidades e modelos de negócio poderão estar mais expostas a estas pressões, à medida que as expectativas dos clientes continuam a mudar.

Como tal, o Thinking Ahead Institute e a CAIA Association apelam aos líderes do setor de investimento para que reformulem a forma como o sucesso é definido dentro das suas organizações, reforcem a sua capacidade de tomar decisões num contexto cada vez mais interligado, e desenvolvam o talento e as culturas necessários para operar eficazmente num mundo mais complexo.

Marisa Hall, responsável pelo Thinking Ahead Institute, afirma: "A gestão de ativos está a ficar sem margem para continuar a aplicar os modelos antigos. Num mundo marcado por riscos interligados, mudanças estruturais e exigências crescentes dos clientes, o pensamento centrado apenas no benchmark já não é suficiente. As empresas precisam de adotar uma visão mais integrada, ao nível dos sistemas, para se manterem relevantes. Demasiados gestores de ativos continuam agarrados a modelos pensados para uma era mais simples. A verdade incómoda é que a relevância já está a ser redistribuída pelos proprietários de ativos, de forma discreta, mas decisiva, a favor daqueles que reestruturaram as suas organizações para esta nova realidade".

John Bowman, Diretor-Geral (CEO) da CAIA, acrescenta: "A era da formação centrada em competências técnicas na gestão de investimentos deu definitivamente lugar a um pensamento lateral, de nível superior. A fragmentação geopolítica, a disrupção tecnológica, as alterações demográficas e a crescente convergência entre os mercados públicos e privados exigem uma visão mais ampla, capaz de ligar pontos entre diversas disciplinas. Este relatório reforça por que razão o pensamento ao nível dos sistemas se está a tornar uma necessidade estratégica para as organizações de investimento que pretendem manter-se relevantes, resilientes e alinhadas com as necessidades em evolução dos proprietários de ativos".

Sobre o Thinking Ahead Institute da WTW

O Thinking Ahead Institute é uma rede global de investigação e inovação em investimento, sem fins lucrativos, dedicada a ajudar os investidores a preparar-se para o futuro. Reunindo importantes proprietários de ativos, gestores de ativos, fornecedores de soluções de gestão de património e parceiros estratégicos, o Instituto promove a inovação através de investigação colaborativa e soluções práticas. Desde a sua fundação em 2015, o Instituto já reuniu mais de 150 organizações para conceber, em conjunto, estratégias de investimento adequadas, melhorar a eficácia organizacional e reforçar a confiança das partes interessadas. Saiba mais sobre como o Thinking Ahead Institute pode apoiar a sua organização em Thinking Ahead Institute.

Sobre a CAIA Association

A CAIA (Chartered Alternative Investment Analyst) Association é o principal organismo profissional dedicado à formação e certificação em investimentos alternativos. A organização apoia o setor global do investimento através da oferta do título CAIA Charter e de um conjunto de iniciativas de formação, investigação e liderança de pensamento. Com mais de 14.000 membros em mais de 100 países, constitui a comunidade de profissionais de investimento alternativo mais dinâmica do mundo, dedicada a promover normas profissionais e melhores resultados de investimento. Saiba mais em CAIA.