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O novo mapa dos riscos financeiros na América Latina: como proteger o balanço da sua instituição

Agosto 19, 2026

A transformação dos riscos financeiros na América Latina exige uma nova abordagem executiva

O setor financeiro latino-americano sustentou suas decisões estratégicas em modelos lineares baseados na análise de crédito e risco de mercado. Essa equação já não responde à velocidade das ameaças contemporâneas.

O ecossistema regional passa por uma mudança estrutural. Os maiores impactos sobre os balanços institucionais decorrem do acúmulo de riscos sistêmicos e não financeiros. Embora a região apresente resiliência macroeconômica com projeção de crescimento do PIB de 2,3% para 2026 segundo a ONU, a estabilidade do setor é testada por vetores emergentes que se transformam mais rápido do que os modelos de previsão.

O desafio de diretores de risco e conselheiros é antecipar ameaças que ocorrem ao mesmo tempo. A governança atual exige ir além dos testes de estresse convencionais, unindo prevenção operacional e proteção financeira.


  • Entenda como a transição de riscos lineares para ameaças sistêmicas impacta o mercado bancário

    Os riscos emergentes alimentam uns aos outros em um efeito cascata. Uma crise operacional ou uma mudança na legislação ultrapassa seu setor de origem, afetando a capacidade de pagamento de clientes e a reputação do banco.

    A gestão tradicional baseava-se em analisar o passado para estimar o futuro. Diante de ameaças sistêmicas, a incerteza se impõe na rotina das empresas. Um único incidente em um ponto da cadeia pode ultrapassar limites operacionais e gerar prejuízos sem precedente histórico.

    Compreender essa dinâmica exige analisar de forma integrada como as novas ameaças externas e operacionais impactam as instituições financeiras.


  • Riscos cibernéticos saem do departamento de tecnologia e atingem o centro do balanço patrimonial

    O risco cibernético deixou de ser um tópico exclusivo da área de TI e se consolidou como fator de solvência e continuidade do negócio. A América Latina enfrenta um cenário em que os ataques avançam rapidamente.
    • As empresas latino-americanas enfrentam em média 2.640 tentativas de invasão por semana, número 35% superior à média global.
    • A região registrou mais de 450 eventos graves de ransomware em um único ano com alta contínua de 78%, liderados por operações no Brasil, México e Colômbia.
    • O avanço do mobile banking impulsionou a fraude digital, fazendo com que no México os casos de tomada de conta conhecidos como account takeover quadruplicassem em um curto período.
    • A dependência de poucos provedores de nuvem cria uma concentração tecnológica em que a falha em um fornecedor afeta simultaneamente múltiplas instituições regionais.
    • Além disso, existe uma situação decorrente da inovação e tecnologia, relacionada ao risco de IA e ataques cibernéticos na América Latina. Trata-se de uma condição preocupante, principalmente porque a adoção de IA cresce mais rápido do que a maturidade dos controles de segurança em muitas organizações.

    Quando a operação digital de um banco sofre uma paralisação, o impacto extrapola o gasto com remediação técnica. O prejuízo abrange o custo imediato da paralisia das transações e o impacto reputacional que afeta o valor de mercado.

    Nas instituições financeiras, um dos principais riscos é o aumento das fraudes por engenharia social está associada ao uso de IA generativa, criminosos conseguem criar e-mails, mensagens e comunicações extremamente convincentes, muitas vezes personalizadas com informações obtidas em redes sociais, fontes públicas ou vazamentos de dados. Isso aumenta a probabilidade de colaboradores e clientes serem induzidos a aprovar transações fraudulentas ou compartilhar credenciais de acesso.


  • Risco climático financeiro gera impactos diretos e imediatos nas carteiras de crédito

    O risco climático na América Latina migrou da pauta institucional para a análise de risco de crédito e investimentos. Embora a região abrigue 19% das reservas comprovadas de petróleo e desempenhe papel crucial no agronegócio global, o sistema financeiro local opera com vulnerabilidades.

    • Dados da UNEP FI (Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente)revelam que 41% dos bancos da América Latina e do Caribe não possuem mecanismos formais para gerenciar riscos climáticos.
    • A seca nos Pampas e as cheias na Bacia Amazônica afetam diretamente a produtividade e a capacidade de pagamento de produtores, desvalorizando garantias rurais.
    • Instituições com exposição a setores intensivos em carbono enfrentam depreciação de ativos à medida que avançam as exigências de descarbonização e as diretrizes globais de transição energética.

    Eventos climáticos tornaram-se variáveis permanentes de inadimplência. As instituições que não precificarem o risco físico e o risco de transição em seus modelos de crédito correm o risco de carregar garantias desvalorizadas e ativos rejeitados por investidores focados em critérios sustentáveis.


  • Pressão regulatória e instabilidade geopolítica aceleram a disrupção no ecossistema financeiro

    O ambiente de conformidade abandonou a busca por padrões globais uniformes e entrou em uma fase de exigências regionais severas.

    • Normas internacionais como a DORA referente à Lei de Resiliência Operacional Digital da União Europeia servem de modelo para órgãos reguladores no Brasil, Chile e Colômbia exigirem controle sobre terceiros e rapidez na notificação de incidentes.
    • Com mais de 50% dos bancos testando ou utilizando ferramentas de inteligência artificial na operação diária, fiscalizadores intensificam a cobrança por auditabilidade de algoritmos para mitigar falhas sistêmicas.
    • Supervisores regionais ampliam a aplicação de sanções e a responsabilização pessoal de diretores em apólices de D&O para casos de falhas de governança ou vazamentos de dados.

    A essa equação soma-se o cenário geopolítico e a transformação do mercado. Um conjunto de sete países da região representando mais de 50% da população latino-americana passa por transições presidenciais ou ciclos eleitorais, gerando oscilações em câmbio e marcos regulatórios.

A expansão das fintechs no Brasil e no México reduz a margem dos produtos bancários e desloca o risco operacional para fora do perímetro regulatório tradicional. Para responder à concorrência, os grandes bancos aceleram o lançamento de inovações, o que reduz o tempo de testes de segurança e abre brechas no sistema.
  • Por que adotar uma visão integrada de riscos é indispensável para proteger o balanço

    A evolução das ameaças exige que as instituições parem de gerenciar riscos de forma isolada.

    A liderança de riscos precisa integrar o mapeamento de ameaças com a transferência estratégica dessas exposições ao mercado garantidor. Contratos de seguros individuais já não oferecem cobertura suficiente quando diferentes problemas acontecem ao mesmo tempo.

    Para sair da posição defensiva, conselhos e diretores de risco devem priorizar diagnósticos cibernéticos profundos, eliminar zonas cinzentas em contratos de transferência de risco e incorporar testes de estresse climático em suas carteiras.

    Diante dessas transformações, contar com parceiros estratégicos como a WTW torna-se decisivo para transformar a gestão de risco em vantagem competitiva. Por meio da integração entre análise de dados e consultoria técnica, as instituições financeiras conseguem mapear a exposição real do negócio para garantir coberturas mais eficientes.