
O Brasil se aproxima das eleições gerais de 2026, com o primeiro turno previsto para 4 de outubro e eventual segundo turno em 25 de outubro. Como acontece em muitos ciclos eleitorais ao redor do mundo, o período tende a ser acompanhado por maior volatilidade econômica, intensificação dos debates regulatórios, aumento da polarização social e maior exposição a riscos operacionais, reputacionais e cibernéticos.
Embora seja impossível prever todos os desdobramentos do processo eleitoral, organizações que investem antecipadamente em governança, continuidade de negócios e gestão de riscos costumam responder com mais agilidade às mudanças do ambiente externo e proteger melhor suas operações, seus colaboradores e sua reputação.

Os riscos que merecem atenção especial
A preparação começa pela compreensão dos principais fatores de risco que podem influenciar o ambiente de negócios durante o período eleitoral.
- Ambiente regulatório e institucional
Mudanças de governo frequentemente vêm acompanhadas de revisões em agendas tributárias, trabalhistas, ambientais, de infraestrutura e de incentivos setoriais. Dependendo do segmento de atuação, essas alterações podem impactar investimentos, contratos, planejamento estratégico e perspectivas de crescimento.
As empresas devem avaliar previamente como diferentes cenários podem afetar suas operações e prioridades de negócio.
- Volatilidade econômica e financeira
Períodos eleitorais costumam provocar mudanças na percepção de risco dos mercados. Oscilações cambiais, movimentos nas curvas de juros e alterações nas expectativas econômicas podem impactar custos operacionais, financiamentos, importações e decisões de investimento.
Empresas com maior exposição a variáveis macroeconômicas tendem a se beneficiar de análises antecipadas de cenários e testes de resiliência financeira.
- Mobilização social e impactos operacionais
A continuidade das atividades pode depender da capacidade de adaptação operacional e da preparação prévia para situações de interrupção.
- Cibersegurança e desinformação
Historicamente, períodos eleitorais registram aumento de tentativas de fraude, campanhas de phishing, engenharia social e disseminação de desinformação.
A elevada circulação de conteúdos relacionados à política cria um ambiente propício para ataques direcionados a colaboradores, executivos e sistemas corporativos, tornando a cibersegurança um tema prioritário para as organizações.
- Risco reputacional
A crescente polarização também amplia o potencial de exposição reputacional.
Posicionamentos públicos inadequados, comunicações mal interpretadas ou percepções equivocadas sobre alinhamentos políticos podem gerar impactos no relacionamento com clientes, investidores, colaboradores e reguladores.
Nesse contexto, preservar a neutralidade institucional passa a ser um componente importante da estratégia corporativa.

Como as organizações podem se preparar
A preparação para períodos eleitorais não exige medidas extraordinárias, mas sim o fortalecimento de práticas já reconhecidas de gestão de riscos e continuidade de negócios.
Uma das principais recomendações é revisar e atualizar os planos de continuidade operacional, avaliando cenários de interrupção, validando a resiliência de fornecedores críticos, testando procedimentos de resposta e revisando fluxos de comunicação emergencial.
No campo da cibersegurança, é recomendável intensificar o monitoramento de ameaças, promover campanhas de conscientização para colaboradores, revisar acessos privilegiados e reforçar protocolos de prevenção contra phishing e outras tentativas de fraude.
A proteção das pessoas também deve fazer parte da estratégia. Dependendo do contexto local, pode ser necessário avaliar modelos de trabalho híbrido em momentos específicos, definir protocolos para deslocamentos e garantir canais eficazes de comunicação e suporte aos colaboradores.
Outro ponto relevante é o monitoramento da cadeia de suprimentos. Avaliar a exposição de fornecedores estratégicos, identificar possíveis gargalos logísticos e mapear alternativas operacionais pode reduzir impactos caso ocorram interrupções inesperadas.

A importância da visão estratégica
Além das medidas operacionais, empresas podem se beneficiar de uma abordagem mais estruturada de planejamento de cenários.
O desenvolvimento de cenários base, conservador e disruptivo permite avaliar possíveis impactos sobre estratégia corporativa, estrutura tributária, custos operacionais, projetos de expansão e investimentos de capital.
Da mesma forma, é recomendável que as organizações revisem suas diretrizes de comunicação institucional e reforcem orientações para executivos, porta-vozes e administradores de canais corporativos, preservando a independência e a neutralidade da marca.
Em períodos de maior incerteza, também ganha relevância a atuação dos comitês de crise, com participação integrada das áreas de Operações, Segurança, Jurídico, Recursos Humanos, Tecnologia e Comunicação Corporativa.

O calendário de atenção para 2026
Embora o acompanhamento deva ocorrer ao longo de todo o ciclo eleitoral, alguns períodos tendem a exigir atenção adicional:
- Julho e agosto: definição de candidaturas e consolidação do cenário político.
- Agosto e setembro: intensificação das campanhas e aumento da exposição pública.
- Outubro (1º turno): foco em monitoramento operacional, reputacional e cibernético.
- Outubro (eventual 2º turno): atenção à volatilidade e comunicação corporativa.
- Período de transição: avaliação de impactos regulatórios e revisão de cenários estratégicos.

Como a WTW pode apoiar sua organização
A preparação para períodos eleitorais exige uma visão integrada dos riscos e das oportunidades que podem surgir em diferentes cenários.
A WTW apoia organizações na construção dessa resiliência por meio de soluções como:
- Enterprise Risk Management (ERM)
- Business Continuity Management (BCM)
- Crisis Management
- Supply Chain Risk Management
- Climate & Resilience Advisory
- Cyber Risk Advisory
- Desenvolvimento de cenários estratégicos e stress testing.
Ao combinar análise de riscos, planejamento de continuidade e inteligência estratégica, as organizações podem transformar incertezas em decisões mais informadas e fortalecer sua capacidade de resposta diante de um ambiente em constante mudança.



