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Eleições 2026: como as organizações podem se preparar para um cenário de maior incerteza

Autor

Álvaro Trilho
Agosto 5, 2026

O Brasil se aproxima das eleições gerais de 2026, com o primeiro turno previsto para 4 de outubro e eventual segundo turno em 25 de outubro. Como acontece em muitos ciclos eleitorais ao redor do mundo, o período tende a ser acompanhado por maior volatilidade econômica, intensificação dos debates regulatórios, aumento da polarização social e maior exposição a riscos operacionais, reputacionais e cibernéticos.

Embora seja impossível prever todos os desdobramentos do processo eleitoral, organizações que investem antecipadamente em governança, continuidade de negócios e gestão de riscos costumam responder com mais agilidade às mudanças do ambiente externo e proteger melhor suas operações, seus colaboradores e sua reputação.


  • Os riscos que merecem atenção especial

    A preparação começa pela compreensão dos principais fatores de risco que podem influenciar o ambiente de negócios durante o período eleitoral.

    • Ambiente regulatório e institucional

    Mudanças de governo frequentemente vêm acompanhadas de revisões em agendas tributárias, trabalhistas, ambientais, de infraestrutura e de incentivos setoriais. Dependendo do segmento de atuação, essas alterações podem impactar investimentos, contratos, planejamento estratégico e perspectivas de crescimento.

    As empresas devem avaliar previamente como diferentes cenários podem afetar suas operações e prioridades de negócio.

    • Volatilidade econômica e financeira

    Períodos eleitorais costumam provocar mudanças na percepção de risco dos mercados. Oscilações cambiais, movimentos nas curvas de juros e alterações nas expectativas econômicas podem impactar custos operacionais, financiamentos, importações e decisões de investimento.

    Empresas com maior exposição a variáveis macroeconômicas tendem a se beneficiar de análises antecipadas de cenários e testes de resiliência financeira.

    • Mobilização social e impactos operacionais

    A continuidade das atividades pode depender da capacidade de adaptação operacional e da preparação prévia para situações de interrupção.

    • Cibersegurança e desinformação

    Historicamente, períodos eleitorais registram aumento de tentativas de fraude, campanhas de phishing, engenharia social e disseminação de desinformação.

    A elevada circulação de conteúdos relacionados à política cria um ambiente propício para ataques direcionados a colaboradores, executivos e sistemas corporativos, tornando a cibersegurança um tema prioritário para as organizações.

    • Risco reputacional

    A crescente polarização também amplia o potencial de exposição reputacional.

    Posicionamentos públicos inadequados, comunicações mal interpretadas ou percepções equivocadas sobre alinhamentos políticos podem gerar impactos no relacionamento com clientes, investidores, colaboradores e reguladores.

    Nesse contexto, preservar a neutralidade institucional passa a ser um componente importante da estratégia corporativa.


  • Como as organizações podem se preparar

    A preparação para períodos eleitorais não exige medidas extraordinárias, mas sim o fortalecimento de práticas já reconhecidas de gestão de riscos e continuidade de negócios.

    Uma das principais recomendações é revisar e atualizar os planos de continuidade operacional, avaliando cenários de interrupção, validando a resiliência de fornecedores críticos, testando procedimentos de resposta e revisando fluxos de comunicação emergencial.

No campo da cibersegurança, é recomendável intensificar o monitoramento de ameaças, promover campanhas de conscientização para colaboradores, revisar acessos privilegiados e reforçar protocolos de prevenção contra phishing e outras tentativas de fraude.

A proteção das pessoas também deve fazer parte da estratégia. Dependendo do contexto local, pode ser necessário avaliar modelos de trabalho híbrido em momentos específicos, definir protocolos para deslocamentos e garantir canais eficazes de comunicação e suporte aos colaboradores.

Outro ponto relevante é o monitoramento da cadeia de suprimentos. Avaliar a exposição de fornecedores estratégicos, identificar possíveis gargalos logísticos e mapear alternativas operacionais pode reduzir impactos caso ocorram interrupções inesperadas.


  • A importância da visão estratégica

    Além das medidas operacionais, empresas podem se beneficiar de uma abordagem mais estruturada de planejamento de cenários.

    O desenvolvimento de cenários base, conservador e disruptivo permite avaliar possíveis impactos sobre estratégia corporativa, estrutura tributária, custos operacionais, projetos de expansão e investimentos de capital.

    Da mesma forma, é recomendável que as organizações revisem suas diretrizes de comunicação institucional e reforcem orientações para executivos, porta-vozes e administradores de canais corporativos, preservando a independência e a neutralidade da marca.

    Em períodos de maior incerteza, também ganha relevância a atuação dos comitês de crise, com participação integrada das áreas de Operações, Segurança, Jurídico, Recursos Humanos, Tecnologia e Comunicação Corporativa.


  • O calendário de atenção para 2026

    Embora o acompanhamento deva ocorrer ao longo de todo o ciclo eleitoral, alguns períodos tendem a exigir atenção adicional:

    • Julho e agosto: definição de candidaturas e consolidação do cenário político.
    • Agosto e setembro: intensificação das campanhas e aumento da exposição pública.
    • Outubro (1º turno): foco em monitoramento operacional, reputacional e cibernético.
    • Outubro (eventual 2º turno): atenção à volatilidade e comunicação corporativa.
    • Período de transição: avaliação de impactos regulatórios e revisão de cenários estratégicos.

  • Como a WTW pode apoiar sua organização

    A preparação para períodos eleitorais exige uma visão integrada dos riscos e das oportunidades que podem surgir em diferentes cenários.

A WTW apoia organizações na construção dessa resiliência por meio de soluções como:

  • Enterprise Risk Management (ERM)
  • Business Continuity Management (BCM)
  • Crisis Management
  • Supply Chain Risk Management
  • Climate & Resilience Advisory
  • Cyber Risk Advisory
  • Desenvolvimento de cenários estratégicos e stress testing.

Ao combinar análise de riscos, planejamento de continuidade e inteligência estratégica, as organizações podem transformar incertezas em decisões mais informadas e fortalecer sua capacidade de resposta diante de um ambiente em constante mudança.

Autor

Álvaro Trilho

Diretor de riscos e análises