NR-1 entra em vigor em 2026 e coloca riscos psicossociais no centro da gestão do trabalho
Janeiro 30, 2026
NR-1 entra em vigor em 2026 e exige que empresas mapeiem e gerenciem riscos psicossociais no PGR, com método, evidências e governança para proteger a saúde mental.
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Após período de adaptação, empresas precisam estruturar o mapeamento e a gestão dos riscos psicossociais a partir deste ano.
O ano de 2026 marca uma mudança concreta na agenda de saúde e segurança do trabalho. Daqui quatro meses, no mês de maio, a NR-1 atualizada (Norma Regulamentadora 1) entra definitivamente em vigor.
Apesar disso, ainda é grande o número de empregadores com dúvidas sobre como aplicar corretamente as novas exigências, especialmente no que diz respeito ao mapeamento obrigatório dos riscos psicossociais. E o tema dos riscos psicossociais deixa de ser apenas preparação.
O governo concedeu prazo adicional para que as empresas se adequassem. Dessa forma, ganharam tempo para entender melhor a norma e fazer os ajustes necessários de processos e amadurecimento da gestão de riscos.
O tempo acabou e, a partir deste ano, o foco passa a ser execução com método, evidências e governança.
O que é a NR-1 e por que ela é tão relevante
A NR-1 estabelece as diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho.
Com a atualização da norma, o escopo do PGR foi ampliado. E isso muda o patamar da discussão.
Riscos psicossociais passam a exigir gestão formal
Os riscos psicossociais não são um tema novo. Eles já estavam previstos na NR-17, dentro do conceito de ergonomia organizacional.
A NR-17 sempre tratou da adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. Isso inclui aspectos físicos, cognitivos, organizacionais e psicossociais.
O que muda com a NR-1 não é o conceito e a obrigatoriedade de gestão formal. Desde 2025, os riscos psicossociais precisam ser identificados, registrados, avaliados e controlados.
Em 2026, essa exigência passa a ser efetivamente cobrada. Aquilo que antes ficava restrito a iniciativas pontuais de bem-estar passa a integrar o PGR com critérios claros e evidências documentais.
O que as empresas precisam fazer na prática
O Ministério do Trabalho não exige uma metodologia única. Cada empresa deve adotar ferramentas compatíveis com sua realidade. O que não é negociável é a estrutura do processo. A lógica segue a mesma aplicada aos riscos tradicionais. Mapear por setor, atividade e por função. O checklist de adequação à NR-1 para riscos psicossociais passa por:
Levantamento preliminar de sinais
Antes de aplicar ferramentas formais, é fundamental observar indicadores já existentes como alta rotatividade, excesso recorrente de horas extras, reclamações frequentes, absenteísmo elevado, afastamentos por motivos emocionais e conflitos recorrentes entre equipes.
Avaliação dos riscos psicossociais
As ferramentas e avaliação podem ser combinadas com escuta ativa dos trabalhadores, aplicação de questionários validados, como o Questionário de Copenhague (COPSOQ), a observação da rotina de trabalho e análise de indicadores internos
Registro no PGR
Os riscos psicossociais devem constar no inventário de riscos e na Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP).
Classificação do nível de risco
Devem ser considerados:
Intensidade
Frequência
Número de pessoas expostas
Impactos potenciais
Plano de ação e assistência
É necessário definir medidas preventivas com estruturação de ações de saúde mental. Além disso, o plano deve integrar essas informações ao Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).
A adequação à NR-1 exige mais do que documentos, é preciso mudança cultural com envolvimento tanto de lideranças quanto liderados.
O que deve ser mapeado, segundo a NR-1
A base técnica continua sendo a ergonomia organizacional. Devem ser avaliados a organização das tarefas e ritmo de trabalho, demandas cognitivas e carga mental, relações de trabalho e comunicação, autonomia, controle e participação e fatores ambientais que impactam o bem-estar.
Isso é importante para o ambiente de trabalho porque a gestão dos riscos psicossociais vai além da conformidade legal. Ela impacta diretamente a saúde mental dos trabalhadores, a produtividade, o engajamento, o clima organizacional e a sustentabilidade do negócio.
Empresas que ignoram esse tema tendem a atuar de forma reativa e as que estruturam a gestão conseguem prevenir e tomar decisões baseadas em dados.
NR-1: de exigência legal a ferramenta de gestão
A NR-1 encerra um período de interpretação flexível. A partir de agora, é a vez de um modelo estruturado, contínuo e auditável de gestão de riscos.
Em 2026, não se trata mais de entender a norma. Trata-se de aplicar. Organizações que veem a NR-1 apenas como obrigação legal perdem uma oportunidade. Aquelas que a utilizam como ferramenta de gestão fortalecem pessoas, cultura e resultados.
Como a WTW apoia as empresas nesse novo cenário
A WTW atua com o conceito de bem-estar integrado. O foco é apoiar organizações na construção de culturas sustentáveis, alinhadas à estratégia do negócio.
Diagnóstico
Estratificação de riscos com base em indicadores organizacionais
Dados médicos e ocupacionais
Absenteísmo e afastamentos
Aplicação de questionários validados, como o COPSOQ.