[VINHETA] Você está ouvindo o podcast Saúde e Benefícios, uma coleção de entrevistas da WTW, onde exploramos assuntos abrangentes como saúde, bem -estar, benefícios e as mais recentes novidades e tendências do mercado.
[CAROLINA] Sejam bem -vindos a mais um episódio do nosso podcast Saúde e Benefícios.
Meu nome é Carolina Giardino, sou gerente de bem- estar na WTW e hoje vamos falar sobre felicidade no trabalho, mas com uma abordagem diferente.
A gente vai desconstruir mitos, falar sobre liderança como a peça chave dessa jornada.
Para esse bate papo está aqui comigo a Renata Zerbini, diretora de gestão de saúde e bem- estar.
Prazer te receber aqui, Rê.
Tenho certeza que você vai trazer muitas reflexões valiosas para o nosso público.
E vamos para a primeira pergunta que vai ser bem direta.
A jornada da felicidade nas organizações pode trazer alguma frustração para as empresas ou para os colaboradores?
[RENATA] Bom, Carol primeiro eu queria agradecer o convite.
Acho que vai ser bastante importante a gente falar um pouquinho da felicidade, né?
Sobre um outro viés.
E muito interessante a pergunta que você tá me fazendo, né?
Se a gente fala tanto da jornada de felicidade nas organizações e aí, né?
Será que as pessoas se sentem frustradas porque elas acabam não se sentindo felizes no dia a dia?
E sim, isso acontece, né?
Essa busca incessante pela felicidade ela pode se tornar um fardo emocional, criando expectativas irreais, aquela sensação de fracasso, né?
Quando o colaborador não se sente feliz, isso leva a uma fadiga emocional e acaba trazendo um desgaste e até uma pressão, né?
Levando à frustração, ao descrédito.
Então, aqui a gente tem alguns pontos bem importantes pra gente falar quando a gente cita a jornada da felicidade, né?
Primeiro, a empresa, ela precisa ter uma cultura de bem- estar.
E essa cultura de bem estar, ela tem que fazer parte dos valores e do propósito da organização.
Em segundo lugar, a clareza, né?
Que a responsabilidade da felicidade, ela não é uma responsabilidade da organização.
Ela trata- se de uma responsabilidade compartilhada.
O indivíduo tem responsabilidade em relação a sua felicidade e a empresa também é responsável em propor, vamos dizer assim, um ambiente e situações para que o indivíduo possa praticar a felicidade.
A gente vai falar um pouquinho depois sobre as práticas da felicidade, né?
Porque a felicidade, ela é aprendida.
A gente aprende a ser feliz através das práticas, né?
E outro ponto que a gente não pode esquecer é que a vida é uma só e que a gente tem que ser feliz no trabalho e em casa.
Não existe a vida no trabalho e a vida em casa.
A vida é uma só.
A gente tem que ser feliz no trabalho, tem que ser feliz em casa, a felicidade é única.
[CAROLINA] E seguindo nesse assunto, como você vê a relação entre o bem- estar do líder e a felicidade da equipe?
[RENATA] Excelente, Carol!
Assim, quando a gente fala da jornada da felicidade, né?
Não tem como a gente deixar o líder apartado disso, né?
Por que que eu digo isso? É uma relação direta.
Se o líder não está bem, com certeza a equipe sente, né?
Quando a gente tem uma liderança que está fragilizada.
Com certeza esses defeitos se multiplicam, desmotivando o time, aumentando até o turnover, uma queda de produtividade, isso é automático.
Agora, quando a gente fala de felicidade, a ciência é muito clara.
O que mais contribui para o bem- estar e a qualidade das relações.
Veja, a gente está dizendo que uma das práticas da felicidade são as conexões.
A qualidade das relações entre as pessoas.
E quem tem um papel central nisso quando a gente fala do trabalho?
O líder, né?
Ele é quem garante a segurança psicológica, o engajamento, a empatia, a escuta ativa.
Para isso, ele precisa ter cuidado, entende?
Porque se o líder não está bem, como é que ele vai cuidar do outro, né?
Então o líder, ele tem que ser cuidado, ele tem que ser treinado e ele tem que ter a consciência da sua responsabilidade em relação a isso.
Vamos lá, né?
Ser líder é uma escolha, né?
E quando a gente é líder, é escolher se conectar com pessoas, ajudá-las a serem pessoas melhores.
E para isso, é essencial conhecer os conceitos da felicidade, entender a ciência e aplicar as práticas no dia a dia para gerar no seu time o sentimento de pertencimento, gerar no seu time a transparência, a gratidão, a autonomia, né?
A segurança, o respeito.
Porque a felicidade ela não é um estado permanente.
Isso é importante, a gente saber.
Ela não está relacionada só a um prazer ou a uma conquista.
Ela é uma prática diária, né?
Por isso que nós temos que iniciar a jornada da felicidade cuidando de quem lidera, né?
Então, começar cuidando de quem cuida tanto que um dos nossos módulos da felicidade é o treinamento desses líderes.
Mas no decorrer da jornada que nós implementamos aqui na WTW, a gente percebeu que os líderes precisam de um cuidado maior diante de tudo que eu trouxe aqui, né?
Conversando agora com você além de um treinamento.
Então, em breve, agora em 2026, nós teremos o nosso programa de líderes que vai justamente nesta direção, né?
Cuidar de quem cuida?
[CAROLINA] Ótimo, Rê. E você falou que a felicidade é praticada.
Então, como que as empresas podem aplicar na prática a felicidade sem deixar que esse conceito se torne apenas um lugar comum ou uma expressão banalizada.
[RENATA] Excelente sua pergunta, Carol, pois o processo é bem mais complexo, né?
Quando falamos de conceito de felicidade, a gente não tá falando só de filosofia de vida, a gente tá falando de ciência, a gente tá falando de conceito, né?
Vou tentar simplificar, trazer aqui algumas citações para vocês de uma forma que não seja tão técnica.
Por exemplo, o nosso cérebro, ele funciona através de conexões de células nervosas que nós denominamos como neurônios e substâncias que são responsáveis por essa conexão que nós chamamos de neurotransmissores.
Essas mensagens, elas resultam em ações, em emoções, em pensamentos, em funções vitais.
Entre os neurotransmissores nós temos a dopamina, acetilcolina, serotonina, acho que todos conhecem, endorfina que todos conhecem, que nos dão uma sensação de bem estar e no dia a dia nós podemos adotar, olha que interessante, nós podemos adotar comportamentos que estimulam a produção desses neurotransmissores e a prática desses comportamentos que estimulam a produção desses neurotransmissores está relacionada às práticas da felicidade.
Então, há muito tempo a gente já tem comprovado que a prática de atividade física, por exemplo, estimula a produção de dopamina.
Porém, os estudos mais recentes demonstram que o hábito de reconhecer o outro ou de reconhecer a sua conquista e de agradecimento diário, também estimula a produção de dopamina.
E o reconhecimento e agradecimento são práticas da felicidade.
Eu ressalto aqui que a dopamina está relacionada à nossa energia física, a motivação, aumenta a nossa capacidade de tomada de decisão.
Olha que interessante!
Por sua vez, a produção de acetilcolina que atua na nossa criatividade, na memória, ela pode ser estimulada pela realização de atividades que nos desafiam, novos aprendizados e uma das práticas da felicidade é exatamente isso, é a gente se desafiar, é a gente aprender.
Talvez o outro neurotransmissor que eu possa citar aqui para vocês, a serotonina, que eu acho que todos conhecem, né?
Está relacionada à alegria de viver, sentimento de contentamento, serenidade frente aos desafios diários.
Assumir uma postura positiva de contemplação da vida, da natureza, a gratidão, a conexão com a natureza.
Sabe aquela coisa de você tirar o tênis e pisar na grama, né?
São práticas que estão relacionadas às práticas da felicidade e que produzem, contribuem na produção de serotonina, né?
Então em termos de bem- estar físico e emocional, através desses comandos neuroendócrinos, nós também conseguimos reduzir os nossos níveis de estresse, de ansiedade, de depressão, até o equilíbrio de pressão arterial, melhora da qualidade do sono, né?
Então, resumindo a felicidade, ela pode ser aprendida e através da adoção de comportamentos e práticas, né?
Dos princípios da felicidade que nós chamamos de PERMA-V que são os pilares, né? Que são a base da felicidade.
A gente acaba conseguindo aumentar a produção desses neurotransmissores.
Então, agora, só pra gente finalizar, eu vou entrar um pouquinho no conceito Carol, no conceito da felicidade, né?
Que a base está nos princípios da felicidade, de que tem a sigla em inglês PERMA-V, né?
O P, por exemplo, ele significa emoções positivas, né?
Uma forma de praticar as emoções positivas é encontrar motivos simples de agradecimento pra gente agradecer, né?
Acordar e agradecer pela nossa vida, pelo nosso lar, pela nossa casa, pela nossa família.
O E, de PERMA-V, ele tem um significado de engajamento, né?
E qual é a mensagem? Inclua se, participe de reuniões, de comitês, de happy hours, né?
Tenha conexões sociais, isso traz felicidade.
O R, é relacionamento, né? Relacione-se.
Busque grupos que se identificam com seus valores.
Isso é uma prática da felicidade, né?
Deixe de lado os relacionamentos tóxicos e busque grupos e pessoas que você se identifica com os valores.
Isso é praticar a felicidade no dia a dia.
O M, é de significado, é encontrar o seu caminho, né?
O que que isso significa?
Qual é o legado que eu quero deixar, né?
Identificar o propósito.
Qual é o meu propósito no meu trabalho?
O que ele contribui?
Porque o meu trabalho contribui para algo maior do negócio, né?
É o sentimento de pertencimento, de propósito.
Isso é uma prática da felicidade também.
O A, significa realizações.
Então reconheça as suas conquistas e celebre essas conquistas, né?
Nós fazemos muito pouco isso, tanto dentro da organização como fora, como na nossa vida pessoal.
E reconhecer e celebrar as nossas conquistas, por mais simples que elas sejam, é uma prática da felicidade.
E o V, o último, vitalidade, né?
Que é, encontre, ou melhor, reserve um tempo na sua agenda para você.
Cuide-se, priorize seu autocuidado, né?
É como ter uma alimentação saudável, praticar exercícios, dormir o suficiente.
Então, diante disso, as organizações, elas têm a responsabilidade de incentivar momentos, obviamente, para que os seus empregados possam praticar a felicidade no seu dia a dia, criando um ambiente onde as pessoas possam se sentir engajadas, conectadas, valorizadas, né?
Com sentimento de pertencimento, mesmo diante dos desafios que os desafios, eles acontecem e vão continuar acontecendo dentro de uma organização e na nossa vida pessoal também, né?
Então, quando a gente fala da jornada de felicidade, a gente não tá falando de um grande projeto, a gente tá falando de uma cultura diária, de uma prática diária, né?
Então, eu acho que esse é o desafio, né?
Então, as empresas, elas tem que levar o conceito, a ciência, né?
Pra que a gente não caia aí na jornada da felicidade como um clichê, entendeu, Carol?
[CAROLINA] Excelente, Rê! E como você bem falou, a felicidade é muito mais do que um estado momentâneo.
Ela é uma jornada e acredito que a gente ainda tá no começo dessa caminhada.
E para início, com certeza a gente tem que focar nos líderes para que eles se cuidem, para que eles respeitem seus times, apliquem os princípios da felicidade como práticas no trabalho, na vida pessoal, isso já vai ser um passo muito importante.
Mas quero te fazer uma provocação.
Hoje, as empresas convivem com uma diversidade enorme de gerações, tanto entre colaboradores como líderes, e sabemos que cada pessoa e cada geração percebe e vive a felicidade de uma forma diferente, mesmo quando as práticas são as mesmas.
Como você vê esse desafio?
[RENATA] Excelente provocação, Carol.
As gerações, elas percebem a felicidade de forma bem diferente.
Olha que interessante, né?
A ciência mostra a famosa curva em U, então a alta na juventude, então, felicidade master quando a gente tá na juventude, depois ela cai na meia idade, depois ela volta a subir depois dos 50 anos.
E assim um ponto de atenção pra gente.
Os jovens relatam menos felicidade do que antes.
Tá? Muito pela pressão social e pela falta que esses jovens têm de propósito, né?
Um estudo de Harvard revela algo muito poderoso e eu acho importante trazer aqui pra você.
Relações entre gerações, eles aumentam a felicidade e o propósito.
Então essa diversidade de geração, ela é importante, né?
Porque ela aumenta a felicidade, especialmente para idosos, porque eles se sentem úteis ao compartilhar conhecimento, né?
Mas vamos falar um pouquinho aqui das gerações, né?
Então, os Baby Boomers, olha, eles são mais satisfeitos, eles valorizam, que são 60 mais, né?
Eles são mais satisfeitos, eles valorizam a estabilidade, o papel social, né?
No Brasil, 85% se dizem felizes, contra 77% dos Millennials e 78% da Geração Z.
Então os Baby Boomers, realmente eles se sentem mais felizes.
A Geração X de 40 a 55 anos.
Ela busca segurança, ela busca o equilíbrio e isso traz felicidade a ela quando ela se sente segura e em equilíbrio, né?
A geração dos Millennials de 25 a 39 nove anos, eles querem realização, eles querem reconhecimento, eles querem uma vida equilibrada.
Então, quando eles estão na fase da vida, de grandes realizações, de serem reconhecidos, eles se sentem felizes nesse momento, né?
E quando a gente fala da Geração Z, que é até 25 anos, é onde a gente tem, como eu falei agora para vocês, né?
Níveis mais baixos de bem estar devido a alta ansiedade, falta de propósito, né?
58% dizem não ter sentido claro na vida.
Então, por este motivo a gente tem um nível baixo de felicidade.
Por isso que no começo eu até falei um pouquinho sobre isso e é importante a gente retomar, né?
O indivíduo, ele tem que encontrar o que te faz bem, o que faz bem a ele, né?
E o que faz feliz, o que te faz feliz.
A felicidade, ela é individual.
Então, por isso afirmamos que o indivíduo, ele tem que encontrar o que te faz bem, né?
O que para ele é felicidade, porque a felicidade ela é individual.
E aí, Carol, é muito importante a provocação que você me fez, porque as organizações, elas tem que ter um olhar, principalmente quando elas tem a jornada da felicidade, as práticas da felicidade, né?
Ela tem que ter um olhar para a diversidade de gerações.
Por tudo isso que falamos aqui.
[CAROLINA] Agora vamos para a última pergunta, para os nossos ouvintes aqui que querem aplicar esse conceito dentro das suas organizações.
Como medir? Como mensurar o sucesso da felicidade corporativa?
[RENATA] É possível. É importante essa pergunta, eu acho isso é o que eu mais escuto, né?
Dos nossos clientes quando eu vou falar da jornada da felicidade?
Nós temos a pesquisa Gallup, que é uma pesquisa sobre felicidade, engajamento e liderança, ela diz que os colaboradores felizes são 20% mais produtivos.
Os colaboradores felizes, eles faltam 27% a menos no trabalho e vendedores felizes vendem 37% a mais.
O que que estamos falando aqui?
A gente já tá falando aqui de resultado, né?
Aqui na WTW nós estamos completando um ano da nossa jornada da felicidade e a gente já conseguiu mostrar resultados em relação a diminuição do turnover, a diminuição de afastamentos, melhora de performance, atração de talentos, né?
Fiz várias entrevistas para profissionais e eles me perguntavam: olha, eu sei que a WTW possui a jornada da felicidade e eu gostaria de trabalhar numa empresa que fala de felicidade e que tem um conceito de felicidade.
Então, a atração de talentos é um outro indicador importante também.
Porém, temos outros indicadores aqui e eu posso fazer a correlação para vocês, né?
Exemplo, a gente pode, sim, correlacionar a jornada da felicidade com os riscos psicossociais tão falados aí na atual NR-01, né?
Que com certeza serão mitigados ou até eliminados com a cultura da felicidade numa organização, né?
Além de indicadores de saúde como redução de absenteísmo, por depressão, ansiedade, a gente também vai começar a cruzar, né?
Os dados de como tá o comportamento do nosso benefício saúde para a gente observar se teve uma redução em relação ao plano de saúde, né?
A utilização de pronto socorro, indicadores esses que a gente vai poder mensurar.
Então é possível mensurar.
É óbvio que isso não acontece de imediato.
A gente precisa, como eu disse a você, a gente está finalizando, completando um ano aí da nossa jornada, né?
Finalizando o primeiro ano.
E agora que a gente tá conseguindo mostrar resultados e entender que realmente a jornada da felicidade, ela consegue, sim, mostrar resultados em relação a turnover, absenteísmo, afastamentos e, como eu disse, também atração de talentos.
[CAROLINA] Incrível! Foi muito bom conversar com você.
Obrigada por tantos dados, tantos ensinamentos relevantes.
Bom, hoje vimos então que a felicidade no trabalho não é um estado permanente, nem um projeto isolado.
É uma jornada que envolve ciência, prática e, principalmente, a liderança.
Falamos aqui sobre mitos, sobre como cuidar de quem cuida e sobre a importância de trazer a felicidade como uma pauta estratégica nas empresas.
Se você é líder, lembre- se que cada decisão impacta na felicidade do seu time e se você é colaborador, a felicidade é construída no dia a dia com pequenas práticas que geram pertencimento, propósito e bem- estar.
Fiquem ligados, em breve teremos novidades.
Como a Rê falou, com o nosso programa de líderes 2026, reforçando esse nosso compromisso.
Porque entendemos que quando cuidamos dos líderes, cuidamos das pessoas e isso transforma a cultura da organização.
Obrigada por nos acompanhar em mais um episódio de Saúde e Benefícios.
Até a próxima!
[RENATA] Até a próxima, Carol, obrigada pelo convite.
[VINHETA] Obrigado por participar do podcast Saúde e Benefícios.
Para mais informações, acesse nossas mídias sociais e a seção de insights no WTWCO.com.