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Obesidade deve ser uma preocupação de toda sociedade

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Por Reinaldo Lovetro | Abril 20, 2022

A prevenção deve começar na infância. Família, escolas e empresas devem manter a atenção nesse tema.

A pandemia causou uma série de problemas para a sociedade em todo mundo. Muitas pessoas relataram que nesses dois anos trabalhando em casa, a busca e a facilidade por consumir alimentos com pouca qualidade nutricional aumentou significativamente, o que teve como consequência a elevação do peso na balança e, em muitos casos, indivíduos que subiram para a faixa de sobrepeso e até mesmo de obesidade. Além disso, durante alguns meses, as academias ficaram fechadas, as ruas isoladas, fazendo com que as pessoas interrompessem as suas atividades físicas. Mas, esse não é um problema que começou agora, é preciso voltarmos no tempo para identificar alguns padrões de consumo que surgem desde a infância.

Ao frequentar praias, restaurantes, parques, hotéis e locais com muita circulação de pessoas, fica mais fácil observar hábitos familiares e perceber que as crianças estão fortemente inseridas nesse contexto. Uma viagem de férias, um final de semana mais permissivo e “calórico”, aquele pãozinho industrializado, um doce como recompensa por um bom ato dos filhos, a dificuldade de encontrar alimentos saudáveis em qualquer horário e local, a oferta excessiva de refrigerantes e guloseimas repletos de açucares e gorduras. Todos esses são fatores que, sem notarmos, podem ajudar na construção de um hábito inadequado de alimentação que pode se tornar um problema sério, ocasionando na obesidade infantil.

O Ministério da Saúde divulgou um estudo que demonstra que 1 em cada 10 crianças de até 5 anos está acima do peso ideal e 3% delas apresentam o quadro de obesidade.

O Estudo Nacional de Alimentação Infantil (Enani/2019) da UFRJ indicou que 18,6% das crianças desta faixa etária estão em zona de risco com sobrepeso. O Ministério da Saúde também divulgou outra pesquisa em 2021 que estima em 6,4 milhões de crianças com sobrepeso e 3,1 milhões que evoluíram para obesidade.

Anteriormente, a obesidade estava concentrada na população adulta, evoluiu para os adolescentes e agora está em crescimento nas crianças. Neste grupo, bebês com até 23 meses de idade estão em primeiro lugar no ranking acima do peso, ou seja, mais de 23%. Isso é preocupante, pois denota problemas no futuro nas outras faixas.

Atualmente, temos uma grande variedade de opções de alimentos ultraprocessados. Sucos de caixinha, refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos e macarrão instantâneo são os maiores vilões neste ranking, segundo especialistas em nutrição.

Há alguns anos, o Brasil passa por um processo de mudança de hábitos alimentares. Antes havia grande dificuldade no acesso aos alimentos prontos ou industrializados, hoje eles se tornaram mais baratos, rápidos e acessíveis.

O mesmo estudo da Enani de 2019 mostra que a prevalência de consumo de alimentos ultraprocessados em famílias que têm crianças de 24 a 59 meses foi de 93% e o de bebidas adoçadas de 50,3%.

Estes tipos de alimentos ficam facilmente disponíveis para crianças nas gôndolas de supermercados, o apelo de comerciais e personagens vinculados e de grande sucesso entre esse público também são fatores que estimulam o consumo.

Existe uma nova regulamentação de rótulos que deverá entrar em vigor em outubro deste ano, mas a ação dos pais, dos familiares, da escola e da sociedade é fundamental para atingirmos o objetivo em acabar com a obesidade infantil.

Recentemente, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria divulgaram, respectivamente, o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras e o Guia Prático de Alimentação para crianças de 0 a 5 anos, instrumentos importantes para conscientização da família.

Além disso, outros aspectos como a falta de atividade física, mudança do padrão de amamentação, fator da pandemia, permissividade de familiares em oferecer alimentos não saudáveis e falta de um acompanhamento especializado contribuem para a piora deste mal que é a obesidade infantil.

É por isso que o papel da sociedade em geral faz toda a diferença para reduzir esses casos, que pode trazer transtornos físicos e até mesmo mentais para os futuros adolescentes e adultos.

É importante enfatizar que geralmente os pais são o reflexo dos filhos, então é importante que eles criem hábitos de alimentação saudável dentro de casa, ofertando alimentos apropriados a cada faixa-etária e mantendo um padrão de alimentação adequada para toda a família.

O papel da escola também é fundamental. Sabemos que muitas hoje em dia contam com a contratação de nutricionistas para elaborar o cardápio das crianças pensando em uma abordagem mais qualitativa, com o consumo de frutas, legumes, verduras e pouca adição de sal e açúcar. No entanto, ainda vemos algumas exceções, onde o aluno facilmente encontra uma série de guloseimas para adquirir na famosa cantina escolar.

Mas, até aqui ficou claro o papel da família e da escola no combate à obesidade. Mas o que as organizações têm a ver com isso?

Eu diria que as empresas possuem um papel fundamental para ajudar os pais a desenvolverem um padrão de vida saudável e fornecerem esses exemplos práticos dentro de casa. Além de ser um fator de risco por desencadear doenças crônicas como depressão, hipertensão, diabetes e AVC, a obesidade, de um modo geral, pode trazer impactos negativos também para a organização. Por isso, várias ações podem fazer parte dos benefícios corporativos para seus colaboradores.

Em muitos casos, a obesidade acontece até mesmo por falta de conhecimento, então as empresas podem envolver seus colaboradores nos seus programas de bem-estar, promovendo palestras educacionais para esclarecer diversos fatores que causam dúvidas aos seus profissionais e, consequentemente, esses que possuem filhos estarão mais aptos para preparar uma refeição com mais qualidade e monitorar a oferta de alimentos mais calóricos. Além disso, a família inteira pode ser convidada para participar desses papos virtuais.

Outras ações também podem ser relevantes como o incentivo à prática de exercícios físicos, a possibilidade de oferecer consultas nutricionais para melhorar a alimentação não somente dos colaboradores, mas de toda família, e até mesmo a criação de programas que auxiliem futuros pais na preparação para a chegada de um filho e o acompanhamento nos seus primeiros anos de desenvolvimento.

Na WTW, por exemplo, temos uma área de gestão de saúde dedicada para oferecer as melhores soluções para seus clientes, por meio da criação de diversos materiais educativos para promover a alimentação saudável como: informes, cartilhas, workshops, vídeos, além de programas com nutricionistas. Os participantes do programa “Saúde Sem Dúvidas”, destinado a portadores de doenças crônicas, também recebem orientações dietéticas adequadas a sua doença.

Portanto, se cada empresa buscar informações e promovê-las internamente, seus profissionais ficarão mais preparados para cuidar e orientar os seus filhos e, com o esforço de todos, ficará mais fácil combater esse mal que é a obesidade que nasce na infância.

Autor

Diretor de Saúde, Vida e Dental da WTW

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